segunda-feira, 23 de março de 2009

Reflexões Pessoais - Filipe

A meu ver, este período foi bastante produtivo para o nosso grupo. Conseguimos alcançar objectivos que tínhamos definido previamente, como entrevistar personalidades do desporto aveirense (só realizámos a entrevista a Mário Teles e obtivemos o testemunho de um atleta que deseja permanecer anónimo pois os outros atletas que quisemos entrevistar não se mostraram disponíveis). No entanto, acompanhámos a equipa da nossa escola numa ida ao Colégio de Calvão, algo que teve tanto de útil como de inesperado. Esta incursão permitiu-nos observar como o desporto é tratado em outras escolas, averiguar qual a opinião de outros jovens sobre a prática desportiva e concluir que estes torneios inter-escolares são uma boa maneira de a incentivar.
A realização dos inquéritos à população foi proveitosa, pois a adesão do público foi excelente, ninguém se recusou a responder e até consideraram o inquérito relativamente fácil de responder, apesar do seu tamanho. Percebemos que parte da população sente que o desporto não tem o relevo que devia na nossa cidade.
O registo fotográfico dos espaços desportivos confirmou as nossas suspeitas e a opinião da população em geral: o desporto parece mesmo ser o último dos interesses da Câmara Municipal. Tencionamos fazer com que isso mude através da proposta a realizar.

Reflexões Pessoais - Heitor

Em relação ao trabalho efectuado pelo nosso grupo neste período, penso que, apesar de ter possuído um cariz maioritariamente teórico (realização de inquéritos e entrevistas de modo a descobrir a opinião pública sobre o desporto na nossa cidade), foi fundamental para o nosso tema, visto que, para além de ser com base nas opiniões obtidas que iremos formular a nossa proposta para a remodelação dos espaços desportivos, permitiu-nos averiguar o que as pessoas pensam do estado do desporto em Aveiro.
O que depreendi das entrevistas e inquéritos foi o seguinte: as pessoas estão conscientes da necessidade da prática desportiva regular e conhecem os espaços onde o fazer, embora concordem que estes precisam de ser melhorados. Em comparação com tempos passados, reconhece-se que vivemos numa era onde tudo nos é facilitado (a entrevista a Mário Teles e o testemunho dado por um Culturista que, como foi referido, preferiu manter o anonimato, demonstram isso na perfeição) mas, consequentemente, o espírito de sacrifício e vontade de alcançar certos objectivos parece ter desaparecido. Hoje em dia tudo é fácil e é atingível num curto espaço de tempo, por isso quando aparece um obstáculo que necessita de um pouco mais de esforço da nossa parte para ser ultrapassado, o caminho da desistência é muito utilizado e recorremos a outro passatempo qualquer que aparente ser mais fácil. Por outro lado, antigamente havia mais garra, mais vontade de atingir objectivos. O temo “competição” parece ter perdido algum do seu encanto.
Apesar de alguns entraves ao desenvolvimento do nosso projecto (impossibilidade de realizar algumas entrevistas), as partes mais fulcrais foram realizadas, o tempo gasto a desenvolver o inquérito valeu a pena e o objectivo de sondar a população foi bem sucedido, pelo que considero que foi um bom período de trabalho. Os frutos do nosso trabalho podem ser vistos pela população aveirense no blog aveirodesportivo.blogspot.com, onde expomos entrevistas, análises e relatórios.
Resta-me agradecer a amabilidade e disponibilidade de Mário Teles, João Silva, do atleta que nos forneceu o seu testemunho e da população aveirense, que foi suficientemente paciente para responder aos nossos inquéritos. Esperamos que as pessoas a quem solicitámos entrevistas se mostrem disponíveis o mais rapidamente possível, de modo a concluirmos a fase de recolha de informação e partirmos para a fase mais prática do nosso projecto: a proposta de remodelação dos espaços desportivos na cidade de Aveiro.

Reflexões Pessoais - João

O segundo período foi um período muito produtivo para o nosso tema problema “Desporto em Aveiro”
Efectuámos uma entrevista ao ex-atleta olímpico Mário Teles, a alunos do Colégio de Calvão e ao docente João Silva. Conseguimos concluir a elaboração dos inquéritos a fazer a população Aveirense e ainda proceder inquirir a mesma. Também verificamos o estado de conservação do parque D. Pedro V, o primeiro de muitas áreas desportivas de Aveiro, da Zona Verde, da Praça Euro, do Playground e do campo EPA.
Foram realizadas pesquisas sobre os diversos desportos que podem ser praticados em Aveiro por mero prazer ou por meio de torneios. Observamos os benefícios físicos na prática regular de actividade física pode trazer as nossas vidas.

Reflexões Pessoais - Joaquim

Penso que este período conseguimos realizar grande parte do nosso plano, nomeadamente a realização dos inquéritos e tratamento dos dados, bem como uma entrevista a um ex-atleta olímpico (Mário Teles) e uma investigação minuciosa aos espaços públicos existentes na nossa cidade, onde apontamos algumas falhas relativamente ao seu estado. Efectuámos também uma incursão a Calvão onde acompanhámos um evento relacionado com o desporto escolar (campeonato de basquetebol), essencial para avaliarmos a forma como as escolas promovem o desporto.
De facto, o inquérito ficou finalmente concluído e pudemos então efectuá-lo á comunidade. Registamos no nosso relatório as conclusões retiradas dos 100 inquéritos.
A entrevista a Mário Teles correu bastante bem, diria mesmo que excedeu as expectativas, e agradeço ao ex-atleta a sua amável hospitalidade, e enorme disponibilidade e paciência para nos receber e contar histórias sobre o desporto no seu tempo e responder a algumas perguntas. Mário Teles foi simpatiquíssimo com o nosso grupo e de uma enorme ajuda ao nosso projecto.
Retirámos fotografias aos espaços públicos existentes em Aveiro, onde nomeámos também inúmeras falhas decorrentes do uso frequente, da falta de renovação, ou da falta de civismo dos utentes ou talvez até de actos arbitrários de vandalismo. Entre essas falhas contam-se principalmente o piso desnivelado, a falta de iluminação, a falta de vedação, a existência de redes bastante danificadas e de vedações muito danificadas também.
Durante a nossa ida a Calvão é necessário agradecer ao Professor João Silva de Educação Física pela sua boa vontade em nos levar junto com a equipa que iria representar a escola de forma a testemunharmos este evento. Aqui pudemos entrevistar alguns alunos sobre a forma como encaram o desporto e o que acham sobre o estado em que o mesmo se encontra na nossa cidade.
Constava também dos nossos planos realizar mais entrevistas, nomeadamente ao campeão de Strongman em Portugal, Adérito Santos, e a um jovem atleta de Vela aveirense, Pedro Cabral, bem como ao atleta olímpico de natação aveirense que representou Portugal ainda nos Jogos do ano transacto (em Pequim), de seu nome Diogo Carvalho. Mas tal não foi possível devido à falta de disponibilidade dos mesmos.
Recebemos ainda um testemunho de 10 anos de treino por parte de um Culturista, que nos pediu para, em troca da sua ajuda, não revelar a sua identidade. Este texto foi nos bastante útil e encaixa bastante bem no tema geral do trabalho, que pretende compara o desporto de hoje com o desporto de ontem.
Penso que o grupo se encontra mais coeso, de uma maneira geral, e com uma ética de trabalho mais desenvolvida e um empenho fortalecido. Não se registam quaisquer problemas no âmbito do relacionamento dos seus elementos, uma vez que o grupo desfruta de um bom ambiente decorrente da amizade que todos nutrimos pelo próximo.A par de tudo isto, procedemos também a uma constante actualização do nosso blog (aveirodesportivo.blogspot.com), onde se poderão encontrar todos os nossos empreendimentos, entrevistas, registos de incursões e conclusões sobre o nosso projecto, bem como várias fotos alusivas aos eventos que visitámos. Nomeadamente a entrevista a Mário Teles, o relatório da ida a Calvão, o relatório dos inquéritos e o relatório dos espaços públicos da nossa cidade. Todos estes registos se encontram acompanhados de fotografias alusivas aos mesmos.

2º Período - Em Suma

Neste período desenvolvemos algumas das actividades previstas no relatório do período transacto, nomeadamente:

· Elaboração dos inquéritos à comunidade e tratamento dos dados deles retirados;

· Entrevistas a personalidades do desporto aveirense, como Mário Teles (ex-atleta olímpico). Pretendíamos entrevistar ainda: o campeão de Strongman de Portugal, Adérito Santos, e “Zézito”, um lutador de boxe que não representou Portugal nos Jogos Olímpicos por pertencer ao Beira Mar, mas tal não foi possível devido à falta de disponibilidade dos mesmos. Pretendemos levar a cabo estas entrevistas o mais cedo possível; o atleta de Vela e aluno da nossa escola, Pedro Cabral, que treina na Costa Nova. Esta entrevista é fulcral no âmbito do nosso projecto uma vez que se trata de um total aproveitamento desportivo da nossa posição geográfica, e ouvimos o ponto de vista de um jovem em relação ao estado actual do desporto na nossa cidade. De facto a nossa cidade, costeira e banhada pela Ria, é propensa á pratica de desportos náuticos, facto que deve ser aproveitado. O atleta já demonstrou interesse em colaborar connosco mas, devido a actividades escolares, afirma ainda não estar disponível para uma entrevista; pretendíamos também entrevistar o atleta Diogo Carvalho, do Clube dos Galitos, que participou na última edição dos Jogos Olímpicos, mas apesar de já o termos contactado a pedir uma entrevista, ainda não obtivemos qualquer resposta. Um atleta, que pediu para não revelarmos a sua identidade, respondeu ao nosso apelo com o seu parecer sobre a evolução dos ginásios em dez anos de treino. Não o podemos considerar uma entrevista, pois o atleta limitou-se a enviar por e-mail a sua reflexão, mas é de extrema importância e enquadra-se perfeitamente no levantamento de dados efectuado até este momento;

· Cobertura de um evento desportivo: deslocámo-nos a Calvão para efectuar a cobertura de um evento relativo ao desporto escolar (torneio de basquetebol feminino inter-escolar). Pode não ser um evento “para as massas” mas foi de extrema relevância para o nosso trabalho;

· Efectuar um registo fotográfico dos espaços para a prática desportiva que não apresentam as melhores condições.

Inquéritos - 3ªparte

Temos depois a pergunta referente á acessibilidade do desporto em Aveiro. Apresentamos de seguida e como habitual, as tabelas ilustrativas das respostas, por faixa etária:






Eis algumas conclusões retiradas da análise das respostas a esta questão:

Em termos gerais, os aveirenses consideram o desporto Acessível na sua cidade. Esta categoria foi a que mais votos arrecadou em todas e cada faixa etária.
No entanto, em segundo lugar ficou, tristemente, a categoria do Pouco Acessível (excepto na faixa dos maiores de 65 anos, na qual vem em terceiro, após a categoria do Não Sabe).

O principal problema da prática desportiva das diversas modalidades existentes em Aveiro reside, sem dúvida, na precária acessibilidade em termos monetários/económicos, com 72 votos maus. De facto, a maioria dos inquiridos apontou o facto da prática desportiva ser bastante cara como o pior problema de acessibilidade.

Pelo contrário, a localização e a exigência de condições físicas foram, a par, os dois critérios considerados mais acessíveis em termos gerais para o público entrevistado, com 67 e 68 votos, respectivamente.

Para finalizar, apresentamos de seguida algumas conclusões retiradas das perguntas de resposta directa constantes do nosso inquérito.
Em relação à pergunta “Na sua opinião, o que se deveria fazer para melhorar/incentivar a prática de desporto em Aveiro?” as respostas foram variadas, das quais vamos destacar e citar algumas das que nos pareceram mais relevantes como:

· Campanhas para consciencializar a população e incentivar a prática desportiva.
· Divulgá-lo mais junto às pessoas e dar apoio financeiro às pessoas pobres que o querem fazer.
· Desde que se entra na Escola, o desporto deve estar presente.
· Melhorar as infra-estruturas e publicitá-las.
· Os clubes deviam preocupar-se com todas as modalidades e não apenas com as que dão dinheiro.
· Propaganda eficaz e incentivos públicos.
· Incentivos das empresas privadas.
· Actualizar as infra-estruturas.
· Apoios financeiros.
· Mais barato, maior gratuitidade e benefícios.
· Maior promoção do desporto.
Segue-se então a pergunta “No seu ponto de vista, poderia haver melhor aproveitamento dos espaços públicos para a prática desportiva? Se sim, quais os espaços públicos a utilizar e quais as actividades a implementar?”.
Aqui, as respostas também foram diversas, mas é de salientar que as principais “queixas” se destinaram principalmente ao playground, à Zona Verde e à praça euro.
Entre as actividades a implementar destacamos as que foram mais referidas pelas pessoas, tais como colocar vedações, arranjar as redes danificadas e os pisos desnivelados, e em quase todos os espaços, colocar iluminação para que se possa desfrutar dos mesmos durante a noite.
De facto, mesmo no Parque D. Pedro V a iluminação falta e o material e aparelhos encontram-se algo danificados.
As pessoas são de opinião geral que deveria haver uma remodelação/actualização dos espaços, e mesmo reanimação de outras zonas que se encontram severamente subaproveitadas, como é o caso por exemplo da zona verde.
Em relação a quem deve promover/apoiar essas actividades, as respostas cingiram-se maioritariamente à Câmara Municipal de Aveiro, ao Estado, a Clubes e instituições desportivas, a empresas privadas e públicas, Escolas, Juntas de Freguesia e organizações enquadradas no desporto.
No que diz respeito à última pergunta do nosso questionário, “Considera a prática desportiva imprescindível ao seu bem-estar e qualidade de vida?”, as respostas foram quase unânimes em reforçar a ideia de que o desporto é essencial e de grande importância como meio de atingir felicidade, bem-estar físico e psicológico, e principalmente, saúde. A saúde foi largamente referida como resposta a esta pergunta, estando presente uma grande relação entre desporto e saúde na mentalidade dos aveirenses. De facto, o principal objectivo do desporto é dar saúde, física e mental, a quem o pratica.

No entanto, não deixaram de haver opiniões contrárias, e cito uma resposta: “Não. Gosto da minha vida sedentária”. Opiniões que merecem igual respeito, mas que constaram em muito menor número nos nossos inquéritos.

Houve ainda quem fosse mais além, acrescentando o papel do desporto em cimentar as relações humanas, e incrementar o trabalho/esforço colectivo nas mentalidades das pessoas e da própria sociedade. Aumentar a auto-estima, manter a forma, saúde, felicidade, bem-estar, qualidade de vida. Palavras-chave quando se fala em desporto.

Inquéritos - 2ªParte

Em relação à pergunta “Qual é para si o estado do desporto na cidade de Aveiro…”, apresentamos de seguida as respostas por faixa etária:





Após análise cuidada das respostas constantes das tabelas, podemos inferir as seguintes conclusões:

De um modo geral, podemos dizer que o estado do desporto na nossa cidade se encontra entre o bom e o razoável. De facto, nas faixas etárias dos 0-12 anos e dos 18-25 anos a categoria Bom arrecadou mais votos. Porém, as restantes faixas etárias (12-18;25-40;40-65;>65) elegeram principalmente a categoria Razoável nesta pergunta.

Atendendo a uma análise mais minuciosa, podemos dizer que, para a generalidade das pessoas, o principal problema se encontra na divulgação da prática desportiva, com 33 votos maus.

Por outro lado, podemos afirmar que o que melhor serve o desporto em Aveiro é o desenvolvimento da prática desportiva pelos clubes e instituições desportivas, segundo os inquiridos, com um total de 41 votos bons.

Inquéritos

Como é sabido, um dos nossos empreendimentos deste período consistiu na elaboração de um inquérito a realizar á comunidade aveirense. Trata-se de uma amostra representativa da população, pelo que o universo de inquiridos corresponde a um total de 100 pessoas.

Estas 100 pessoas encontram-se divididas em faixas etárias com diferentes pesos, e para ilustrar o referido apresentamos a seguinte tabela da população inquirida por faixa etária:

Como se pode ver, o “grosso” da população inquirida encontra-se na faixa dos 25 aos 40 anos, bem como dos 40 aos 65 anos. De seguida, as idades 12 aos 18, 18 aos 25, mais de 65, têm alguma e semelhante expressividade no nosso estudo. Apenas a faixa etária dos 0 aos 12 anos se encontra menos representada.

De seguida, apresentamos os resultados e respectivas conclusões a certas “perguntas chave” do nosso inquérito, acompanhadas de tabelas para uma melhor ilustração.

Á pergunta “Pratica desporto?” as respostas foram:

58 praticam desporto, 42 não praticam.

Temos portanto uma ligeira preponderância de pessoas que praticam desporto, no entanto o fosso não é profundo de maneira nenhuma, havendo também muitas pessoas que não praticam qualquer tipo de desporto.

Em relação à pergunta “Como considera as infra-estruturas existentes na cidade de Aveiro (públicas e privadas)?”, as respostas foram múltiplas e díspares, seguindo-se a organização destas por faixa etária:











Em relação ao que podemos dizer acerca desta pergunta, comecemos por analisar algumas conclusões gerais, ou seja, não atendendo à faixa etária dos inquiridos, antes na totalidade:

Na generalidade, os inquiridos consideraram as infra-estruturas públicas e privadas da nossa cidade Satisfatórias (com um total de 363 votos), seguido da categoria Pouco Satisfatórias (com uma incidência de 218 votos).

Em relação a infra-estruturas privadas, esta tendência altera-se um pouco porque apesar do primeiro lugar continuar a pertencer à categoria Satisfatórias (181 votos), a categoria Não Conhece ocupa agora o segundo lugar (101 votos). As categorias Pouco Satisfatórias (97 votos) e Muito Satisfatórias (94 votos) têm praticamente o mesmo peso. A categoria Nada Satisfatórias teve apenas 12 votos. Na generalidade, as infra-estruturas privadas são Satisfatórias.
Em relação a infra-estruturas públicas, estas são maioritariamente Satisfatórias (182 votos) ou Pouco Satisfatórias (121 votos). Seguem-se Nada Satisfatórias (71 votos), Não Conhece (63 votos) e Muito Satisfatórias (52 votos).

Podemos concluir que o público considera Satisfatórias as suas infra-estruturas desportivas, a tender para o Pouco Satisfatórias, que também teve elevada incidência. Porém, o público considera, na generalidade, as infra-estruturas privadas mais satisfatórias do que as infra-estruturas públicas.

No que concerne à análise por faixa etária, podemos desde já adiantar que a tendência para a preponderância da categoria Satisfatória também se regista. De facto, esta categoria é a que reúne mais votos de faixa etária para faixa etária.
Já o segundo lugar, pertence à categoria Pouco Satisfatórias, dos 0 aos 40 anos, e pertence á categoria Não Conhece, a partir dos 40 anos.

Podemos dizer que os aveirenses encaram as infra-estruturas desportivas existentes na nossa cidade como satisfatórias ou pouco satisfatórias.

Salientar ainda que:

Em relação às infra-estruturas públicas, os aveirenses preferem, de uma forma geral, o Parque D. Pedro V, com um total de 56 votos bons.

Pelo contrário, é opinião geral de que o que se encontra mais deteriorado e em piores condições é o playground que, arrecadando 48 votos maus, é portanto o menos satisfatório.

No que concerne às infra-estruturas privadas, o mais Satisfatório é o Clube dos Galitos, com um total de 65 votos bons.

No que diz respeito à instituição privada menos satisfatória no entender dos aveirenses, coube ao Beira-Mar a “honra” de ser eleito como tal, com 28 votos maus.

Registo Fotográfico das Infra-estruturas Desportivas Públicas

Segue-se agora parte de um dos elementos mais importantes do nosso projecto: o registo fotográfico dos espaços desportivos em Aveiro.
Durante esta incursão constatámos o estado precário de algumas infra-estruturas para a prática desportiva em Aveiro, que carecem de remodelação há já bastante tempo. Encontrámos inúmeras falhas nos locais que visitámos, entre as quais destacamos:

· Pisos desnivelados
· Redes de baliza danificadas
· Vedação danificada ou inexistente
· Instrumentos/aparelhos que se encontram visivelmente degradados
· Falta de iluminação, o que dá azo a actos de vandalismo e um não aproveitamento nocturno dos espaços por parte da população

Seguem-se algumas das fotos que tirámos:

vedações danificadas

redes danificadas

repare-se como a vegetação invade o campo, evidenciando abandono

pregos soltos nos aparelhos de ginástica do parque - falta de segurança

o vislumbre do progresso arquitectónico avança ameaçadoramente sobre este campo de futebol que, desde o Euro 2004, data de sua criação, raramente é visto desocupado
esta é, de facto, a pior baliza na História do desporto… até o relvado sintético se está a desintegrar aos poucos

Ida ao Colégio de Calvão

No dia 5 de Fevereiro de 2009, nós, os alunos Filipe Moniz e Heitor Pereira (alunos nº10 e nº11, respectivamente, da turma F do 12º ano), deslocámo-nos, no âmbito do nosso tema de Área de Projecto, “ O Desporto em Aveiro”, ao Colégio de Calvão para acompanhar a equipa feminina de basquetebol da nossa escola, já que esta ia realizar um jogo para o torneio inter-escolas em que está inserida. Agradecemos a total colaboração do professor de Educação Física, João Silva, que permitiu que acompanhássemos a equipa e que nos esclareceu em certos aspectos relativos à organização do torneio.



O autocarro partiu às 09h00 e por volta das 09h45 chegámos ao nosso destino: o Colégio de Calvão. Quando chegámos, procedemos à avaliação das instalações e ficámos admirados com as infra-estruturas que o colégio possui: dois pavilhões multiusos (um notoriamente mais usado, com tinta gasta e chão em cimento, e outro mais aparentemente mais recente, com bancadas retrácteis, campo de voleibol ao lado do campo principal, pesos e uma máquina multifunções para musculação e ainda várias tabelas de basquetebol e balizas. Enquanto decorriam os jogos do torneio, estavam em funcionamento, pelo que nos apercebemos, três aulas de Educação Física. Haviam ainda mais dois campos exteriores, também eles multiusos.
Apesar de participar no torneio, a nossa escola não irá receber nenhum jogo do torneio por não ter condições necessárias, neste caso, um pavilhão ou recinto para um jogo regulamentar de basquetebol.
Esta fase do torneio deveria contar com a participação de quatro equipas, mas uma escola não compareceu. O primeiro jogo iniciou-se às 11h, entre as equipas da escola de Ílhavo e do colégio de Calvão.
A equipa da casa foi vencedora, mas posteriormente perdeu para a equipa da nossa escola num jogo que, apesar de certas alturas em que uma equipa se parecia distanciar da outra no marcador, foi bastante equilibrado.




Como referimos acima, Homem Cristo ganhou o confronto (por 4 pontos, o necessário para avançar à fase seguinte do torneio, que se irá realizar no dia 27 de Março) e embora fosse motivo de orgulho para nós, como alunos da escola, havia ainda trabalho a efectuar. Enquanto decorriam os jogos, procurámos saber mais sobre a relevância do desporto nesta escola.

Após avaliarmos o pavilhão principal e enquanto decorriam os jogos, fomos às bancadas tentar dialogar com alguns alunos do Colégio, para ver o que estes pensavam da prática desportiva na generalidade e do incentivo das competições inter-escolares. Não iremos especificar todas as respostas que obtivemos, até porque todos achavam mais ou menos o mesmo, mas sim dizer, de uma maneira geral, o que vai na mente dos jovens daquela escola:
De acordo com os alunos do Colégio de Calvão, a prática desportiva é algo essencial nas suas vidas e acham que todas as pessoas deveriam pensar da mesma maneira. Sentem-se gratos por terem à sua disposição instalações de grande qualidade, pois sabem que nem todos os jovens têm a mesma sorte, mas afirmam que o elemento mais importante da prática desportiva não é as infra-estruturas, mas sim o espírito de atleta, de desportista. “Sem a vontade de praticar desporto, de nada servem os espaços onde este se pratica”, diz o aluno João Gomes.
Ficámos admirados com a grande motivação destes alunos no que toca à prática desportiva, algo que atribuímos ao óbvio interesse da escola pelo mesmo. “Desde que entrei para esta escola, tomei consciência de que o desporto não é só a disciplina ‘Educação Física’, mas uma parte integrante de um estilo de vida saudável. Está tão presente na minha vida agora que acho que sem ele, não seria a mesma”, afirma a aluna Beatriz Reis.
É visível a relevância dada ao desporto, algo que não acontece em todos os estabelecimentos de ensino, e que é cada vez mais importante num mundo que se volta para a prática desportiva como maneira de resolver problemas de saúde, sejam eles a nível físico (como a obesidade) ou a nível psicológico (como o stress). Se o desporto é encarado como a cura, também deve ser encarado como uma medida de prevenção e, como tal, é de louvar a sua difusão em camadas etárias mais jovens.
À saída do pavilhão, deparamo-nos com uma das aulas de educação física referidas anteriormente, com alunos da primária que tinham de percorrer um circuito de obstáculos. Achamos uma excelente iniciativa, uma vez que nem todas as escolas incluem Educação Física no primeiro ciclo, mas é algo importante para estimular a prática desportiva nas crianças, já que “é de pequenino que se torce o pepino”.
Portanto, e concluindo, achamos que a visita ao Colégio de Calvão foi importante para o nosso trabalho, não apenas por verificar que a nossa escola estimula a prática desportiva nos seus alunos, mas também por nos permitir o acesso a opiniões de pessoas que nos eram desconhecidas e que, apesar de não se incluírem directamente na parte prática do nosso trabalho (eventual remodelação de alguns espaços desportivos na cidade de Aveiro), nos ajudaram a ver qual o papel do desporto na vida de pessoas da nossa faixa etária. Apercebemo-nos de que cada vez mais se estimula a prática desportiva nas crianças, como modo de desenvolver o espírito de camaradagem, as capacidades motoras, a destreza, a boa forma física e, talvez o mais importante, uma vida saudável.
A competição, mesmo a este nível, faz com que os jovens se apercebam que a ambição e a determinação têm de estar presentes em tudo na nossa vida se quisermos “chegar a algum lado” e que o trabalho de equipa, a conjugação de esforços para atingir um fim, é extremamente necessário para singrar neste mundo, em que nada é possível sem uma atitude de inter-ajuda.
Citando o professor João Silva, “o desporto é um dos elementos que nos separa dos animais”, o que descobrimos ser verdade em Calvão, onde o desporto é visto como uma parte integrante do dia-a-dia dos alunos, não por obrigação ou instinto, mas por gosto.

O que muda em 10 anos

Serão apenas os elementos físicos do desporto que mudam com o tempo?




Tudo muda com o tempo, e o desporto não é excepção. Segue-se uma reflexão de um culturista Português, que quis manter o anonimato, que contactámos e questionámos sobre a evolução do desporto ao longo dos seus anos de treino. A resposta foi o seguinte texto, que é referente apenas à sua modalidade, mas que demonstra o que se passa um pouco por todos os desportos: a excessiva preocupação com os lucros e a resultante perda do amor genuíno e incondicional pela prática desportiva. É com pesar que chegamos a esta conclusão mas é a realidade, especialmente em modalidades que não estão nas “luzes da ribalta” como o Culturismo. Por exemplo, recentemente, um Culturista português, Carlos Rebolo, sagrou-se Campeão Mundial na classe superior a 40 anos, mas nenhum modo de comunicação social relatou o facto, pura e simplesmente porque esta modalidade “não vende”. O nosso grupo, no entanto, não menospreza uma modalidade por esta não ser a mais praticada do país, até porque um dos nossos objectivos é divulgar as diferentes modalidades desportivas existentes.


“1999 - Chego ao ginásio depois das aulas, hoje é segunda-feira, sai as 16:00 das aulas, estive em casa a descansar um pouco, preparei a mochila e vim para o ginásio. Normalmente a segunda-feira gosto de treinar um grupo muscular grande, costas ou pernas, sinto-me mais fresco e recuperado no inicio da semana. Opto por costas, terça é dia de aula de Ed. Física de manha e se tiver de correr vou estar fraco das pernas. Chego ao ginásio e o dono do mesmo está sentado nos cadeirões junto a recepção, o dono do ginásio é o Patrick. Em cima do balcão estão potes de vidro onde se vendem aminoácidos em saquetas, e packs de vitaminas pré-treino, na parte de trás do balcão está uns potes de proteína e outros suplementos em exposição. Em cima do balcão está também a ultima edição da Muscle And Fitness, com fotos recentes do Flex Wheeler numa forma nunca antes vista, eu e mais outros 2 ou 3 sócios olhamos com admiração e espanto a revista e dizemos em conformidade que este é o ano do Flex, que está imparável, incrível mesmo, que o Coleman não o consegue ganhar e que talvez o recém-chegado Markus Ruhl fique entre os 10 primeiros lugares, o tipo é enorme mesmo. Na revista vem a publicidade da Muscletech, fala-se no Hidroxycut, no Acetabolan e no Cell-Tech... 5 Quilos em 5 dias dizem eles... o pessoal torce o nariz mas sente uma pontinha de esperança de poder experimentar o suplemento. Passados estes 15 minutos de conversa e boa disposição vou para os balneários, cacifos ferrugentos, pouco espaço e agua pelo chão. Depois de me vestir vou treinar.Estão 2 tipos a usar a barra olímpica a fazer peso morto, também quero fazer, mas ainda nem aqueci e meter-me logo na carga que eles estão a usar era meio caminho para ter uma lesão nas costas.Os tipos são porreiros, gajos mais velhos que eu mas porreiros, um taxista de apelido Café e o outro um porteiro, o Dimas.Digo em tom motivador enquanto passo para a passadeira para ir fazendo um aquecimento "força nisso pessoal, vamos embora, carga nisso".O Café diz "isto está salgado, está está... mas ainda dá para salgar mais" e mete mais 15 quilos de cada lado na barra olímpica, já devem estar nas ultimas séries penso eu, estão a fazer 6 a 8 repetições provavelmente não lhes falta muito, e mal acabem vou eu para a barra.Entra uma mulher, cumprimenta toda a gente e sorri para todos sem excepção, não me lembro do nome dela, mas é cliente habitual e não tem medo de treinar nem suar, usa máquinas e pesos sem descrição, não usa grandes cargas mas treina a um bom ritmo e até tem um corpo mais ou menos em forma.Passo para a barra olímpica para fazer peso morto e começo a aquecer só com a barra, sem pesos, nisto chega o meu colega de turma, amigo e companheiro de treino da altura, o Rui, digo-lhe em tom descontente " despacha-te pá estás atrasado, já eu aqueci e vou começar a treinar, hoje vamos fazer costas, vá despacha-te".Ele aquece rápido na passadeira e vem para a barra começamos a treinar, ele começa-me a falar de coisas da escola, da turma, dos testes, eu nem ligo ao que ele diz, entra por um ouvido e sai por outro, só penso em aumentar a carga na última série ou fazer mais umas repetições. Ele continua a falar, e eu digo-lhe "treina mais e conversa menos pá, sempre a mesma coisa".Continuamos o treino e reparo que no canto do ginásio a falar muito baixinho estão 2 tipos também clientes habituais, falam de anabolizantes baixinho, um pergunta e o outro responde preços e doses, etc. Sai uma mulher dos balneários e mudam de assunto quando ela passa ao pé deles.Continuo a treinar com o meu companheiro de treino, série após série, repetição após repetição, acabamos o treino e ainda vamos fazer abdominais, a sala onde normalmente dão aulas de grupo está cheia, mulheres e homens nas passadeiras, nas máquinas de remo, a fazer abdominais no chão, etc.Já passava das 18:00, era completa hora de ponta no ginásio, tudo cheio.Vou para os balneários, tomo banho, no balcão bebo um batido de proteína digamos de qualidade duvidosa, só penso em ir para casa, estou dorido, cansado, e com forme, o peito de frango e o arroz estão à minha espera.As pessoas respeitam-se todos ou quase todos se conhecem, e sabem que gostam de treinar e frequentar o ginásio, uns treinam de uma forma mais dura, outros de forma mais leve, mas nota-se que as pessoas gostam do que fazem, alguns, sócios até tem conhecimentos e falam e debatem os seus atletas favoritos e das competições em que participam, de quem será o próximo Mr. Olympia, da forma do Flex, ou do último suplemento que compraram a preço de ouro, ainda em escudos.2009 - Outra segunda-feira, 10 anos depois, o ginásio actual é do meu amigo e conhecido de longa data Ângelo, mas podia ser qualquer ginásio espalhado pelos pais, pois o que vou descrever a seguir é o actual cenário dos ginásios.No balcão estão algumas revistas de culturismo, também está a Caras ou a Maria ou lá o que é onde a capa é a Lili ou coisa parecida.São mais as revistas cor-de-rosa do que as de culturismo as que estão espalhadas pelas mesas junto ao balcão.Entram 2 miúdos de 17/18 anos no ginásio, por entre as expressões "mambo, sócio, cena" e outras mal consigo perceber o que dizem.Vou mudar de roupa e começo a treinar, pernas, quase ninguém treina pernas, pelo menos na jaula de agachamento, maior parte dos tipos da mesma sala de máquinas treina peito, aliás treina peito não sei quantos dias por semana, peito e bíceps, a claro está no fim do treino, vai-se fazer uns abdominais para ter a esperança de um dia os conseguir ver.Falam da noite, falam do fim-de-semana, de como estava este ou aquele bar.Aumento o volume do mp3, já falta paciência para as conversas da noite à hora do treino.Paro entre as séries, começam-me a doer as pernas, sento-me e olho para o lado, 2 miúdos estão a comparar bíceps frente ao espelho, tiro os auriculares e pego na garrafa de água, pelo meio ouço mais uma barbaridade " pá eu não quero ficar muito grande men, tás a ver assim só tipo seco, méne fixe tás a ver".Falam do autêntico arsenal de suplementos que estão a usar, tudo suplementos hiper-mega-super que prometem muito e fazem pouco, nem os vejo discutir dieta ou treino.Volto a por os auriculares e volto para debaixo da barra, para mais uma série de agachamento.Terminada a série olho para trás, vejo a sala de cardio acima, algumas pessoas nas passadeiras olham com desconfiança para dentro da sala de máquinas, ou é para mim ou para os 3 tipos que estão aos berros num autentico concurso de gritos e grunhidos atrás de mim num banco de supino.As poucas mulheres do ginásio quase nem entram nas salas de peso ou de máquinas, parece que tem medo ou fobia, ou como elas dizem "não querem ficar muito grandes".Acabo as séries na jaula de agachamento e passo a máquina de extensão de quadriceps.Ao lado estão 2 ou 3 tipos a falar de anabolizantes como quem fala de ir a pastelaria comer um bolo ou como quem fala do tempo.Do outro lado passa uma mulher, com uma cara de mal disposta ou zangada com a vida, não fala, não sorri, uma mistura de Manuela Ferreira Leite com Ministra da Educação.Não me parece que ela esteja com muita vontade de estar ali.Continuo a treinar e quando acabo vou beber um batido que tinha no saco, o balcão está concorrido, mal consigo chegar ao meu saco que ficou atrás do balcão, falo com o Ângelo acerca da última competição a que fomos juntos, comentamos a forma de alguns atletas nacionais e a sua prestação, quem está ao balcão olha para nós e faz uma expressão de admiração, parece que estamos a falar chinês ou estamos a debater física nuclear ou física inter-planetária.Pego no saco e vou para os balneários, enquanto tomo banho entra um tipo, que parece que está mal disposto do cabelo, ou então levou um choque, faz-me lembrar um jogador de futebol do Sporting que vi na televisão há pouco tempo.O tipo veste-se e penteia-se cuidadosamente antes - e volto a frisar, antes - de treinar.Dá-me vontade de rir mas contenho-me, acho que um comportamento digamos estranho daqueles merece o silêncio.Volto ao balcão do ginásio e tiro um tupperware do saco de treino com peito de frango e arroz, devoro aquilo em minutos enquanto algumas pessoas ficam incrédulas a olhar para mim. Será que nunca viram um tipo comer depois do treino?Termino este texto a pensar no que é que mudou em 10 anos, pouco terá sido para melhor, perdeu-se espírito de sacrifício, respeito e acima de tudo determinação no desporto.O ginásio é visto hoje em dia como um local de convívio social, onde pouco se treina, e muito se fala.”

terça-feira, 17 de março de 2009

Entrevista a Mário Teles

No dia 19 de Fevereiro, O Sr. Mário Teles, ex-atleta olímpico de remo, teve a amabilidade de nos receber em sua casa para nos responder a algumas perguntas no âmbito do nosso projecto.



Primeiramente, o Sr. Mário Teles mostrou-nos o seu “arquivo” da sua carreira desportiva: fotos, medalhas, taças e outros prémios, enquanto nos explicava o seu significado.
De seguida, procedemos então à entrevista. Em primeiro, o seu nome e idade: Mário Monteiro Teles Santos Júnior, de 88 anos. Perguntámos que modalidades desportivas praticara, ao que ele respondeu que dedicou entre 25 e 30 anos ao basquetebol e ao remo, ambos no clube dos Galitos. À pergunta “praticou desporto porque quis ou devido a pressão familiar ou de qualquer outro tipo”, Mário Teles respondeu veemente que havia sido de sua própria vontade.
Perguntámos em que competições havia entrado, ao que respondeu que, no remo, participou em campeonatos nacionais e europeus, na chamada “Taça de Salazar”, em Lisboa, e representou Portugal nos Jogos Olímpicos de 1952, em Helsínquia, Finlândia. No basquetebol, jogou pelo clube dos Galitos, tendo chegado a ingressar na Selecção de Aveiro desta modalidade. Começou a praticar aos 17-18 anos e cessou aos 36-37 anos.
Em relação aos incentivos/ ajudas por parte das entidades, Mário Teles respondeu sem hesitar que eram péssimos. Praticamente inexistentes. Não os havia da parte do clube, nem da Câmara, nem do Estado/governo, mesmo aquando da sua integração na comitiva olímpica portuguesa. Mário afirma mesmo que, na área do remo, possuíam apenas dois barcos, os quais tinham que reparar constantemente. Na área do basquetebol, os atletas traziam o seu próprio equipamento e levavam-no depois para casa para lavar.
No que diz respeito à nutrição e aos cuidados com a alimentação, segundo Mário Teles, não os havia. A comitiva olímpica portuguesa comia de tudo, mas sobretudo, bacalhau com batatas, apenas porque era o que tinham em mais quantidade e o que mais apreciavam. Acrescenta ainda, em tom de gozo, mas em verdade, que levaram inclusivamente um pipo de vinho. Hoje, Mário leva uma alimentação à base de peixe (bacalhau em maioria) e muito pão. Não come carne de vaca, e come alguma carne de porco mas tira as gorduras.
Importante também referir, para termos noção do clima de tensão que se vivia em Portugal durante o Estado Novo e o governo de Salazar, e em como esta tensão social e política interfere e influencia o desporto, que o único “incentivo” que a comitiva olímpica portuguesa viu do seu país, foi a presença constante de cinco agentes da PIDE (informadores) que os acompanharam durante toda a viagem. E, à sua chegada a Lisboa após os Jogos, todos tiveram que lançar ao mar as revistas estrangeiras que traziam consigo, pois não passavam na alfândega.

Os grandes dinamizadores do remo em Aveiro erma Mário Teles, Ulisses Naia e Amadeu. Capelo era o orientador da equipa olímpica e era acompanhado por Armando Saraiva da Federação Portuguesa.
Na ida para a Finlândia, passaram ainda um dia na Suíça e outro na Suécia, onde se instalou alguma confusão após um agente da PIDE ter tentado furtar um homem, uma vergonha para a nossa nação (!).

Podemos concluir, no âmbito do projecto “Desporto em Aveiro”, que o mesmo era, de facto, encarado de forma diferente no passado: não havia cuidado com a nutrição ou alimentação, e os incentivos e ajudas por parte de entidades (clubes, Estado, governo, câmara, patrocínios, etc.) eram precários. No entanto, apesar do desporto se encontrar neste estado, pensamos que havia mais amor ao desporto que, mais simplista e despido de pressões e formalidades, era praticado por aqueles que realmente gostavam e tinham prazer no que faziam. Hoje, o desporto é levado talvez um pouco demasiado a sério, e muitas vezes as pessoas praticam-no não por vontade própria, mas por outro tipo de pressões (sociais, familiares, etc.), e muitas vezes o empenho é levado ao extremo, pondo mesmo em causa a própria saúde, em vez de servir o propósito de a beneficiar.

Seguem-se algumas das fotos que tirámos:

Homenagem do Clube dos Galitos – 150 anos de Remo



Comitiva olímpica portuguesa - Jogos Olímpicos de Helsínquia , Finlândia, 1952



Navio a vapor Serpa Pinto, que transportou a comitiva olímpica portuguesa para os Olímpicos de 1952, no Canal de Kiel, em passagem para Helsínquia.